Liberdade para inovar: laboratórios de experimentação impulsionam criatividade e tecnologia

Sociedades que desejam acompanhar os avanços e transformações digitais das últimas décadas têm vislumbrado o potencial e incentivado o crescimento de espaços para iniciativas com um novo conceito. É a ideia de inovação aberta. Os Living Labs (LL), ou Laboratórios Vivos, são projetos multidisciplinares que reúnem esforços de governos, empresas, universidades, startups, cidadãos, instituições públicas e privadas, para idear, experimentar, testar e implantar propostas em tecnologia, e gerar aproximação com possíveis clientes e usuários. 

Essas experiências, realizadas em ambientes da vida real a partir de testes controlados, buscam estimular e desenvolver novos sistemas e aplicações, e fortalecer ecossistemas de conhecimento e tecnologia em diferentes frentes. Ainda, possibilitam compartilhar uma diversidade de saberes entre os grupos envolvidos, criar estratégias de inovação tecnológica, trazer qualidade de vida à população por meio da implementação de soluções, estabelecer novos negócios, melhorar a competitividade urbana, avançar em projetos como Smart Cities (Cidades Inteligentes), contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), entre outras inúmeras possibilidades.

Conforme informações do Grupo de Pesquisa VIA Estação Conhecimento, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o conceito de Living Labs teve origem na década de 90, com o professor William Mitchell, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Abordando diferentes pesquisas e referências bibliográficas, são indicadas oito principais características presentes nos Laboratórios Vivos: ambientes da vida real; stakeholders; atividades; modelos de negócio e redes; métodos, ferramentas e abordagens; resultados de inovação; desafios e sustentabilidade.

Outra referência importante é a associação internacional sem fins lucrativos European Network of Living Labs (ENoLL), fundada em 2006. Uma plataforma europeia para a inovação colaborativa e co-criativa, com participação, envolvimento e contribuição dos usuários no processo de inovação. O ENoLL busca promover iniciativas de Laboratórios Vivos tanto entre seus integrantes da União Europeia, quanto em outros espaços por todo o mundo.

 

Onde encontrar esses projetos inovadores?

Parques tecnológicos, Universidades, áreas urbanas, redes colaborativas virtuais, são cenários bastante utilizados para esses processos que envolvem diferentes atores em etapas de criação, prototipagem, validação e teste de soluções, novos produtos, serviços e modelos de negócios, em contextos reais. As iniciativas de Laboratórios Vivos consideram, de forma concomitante, as dimensões sociais e tecnológicas do contexto em que estão inseridos, enquanto propõem, implementam, testam e aprimoram suas soluções para melhorar determinada realidade na vida da população.

Na capital catarinense, um exemplo é o Living Lab Florianópolis, uma iniciativa da Rede de Inovação Florianópolis, em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF). Inicialmente, idealizado pelo projeto piloto na Rua Vidal Ramos, localizada no Centro, o programa expandiu com testes de soluções que passaram a utilizar toda a cidade como plataforma. A partir de editais de chamamento, as soluções inscritas são selecionadas conforme determinados critérios, como perfil do empreendedor, afinidade da proposta com as temáticas do Living Lab, viabilidade de implementação da solução para testes, capacidade de produção do piloto, entre outros. Em linhas gerais, o Living Lab Florianópolis busca contribuir com a qualidade de vida dos cidadãos e melhorar a experiência dos visitantes, com a otimização da gestão urbana e a implementação de novos serviços inteligentes.

 

A relação do CIASC com laboratórios de experimentação

Living Labs são iniciativas que contribuem no fomento à cultura de inovação entre diversas comunidades, aproximam os cidadãos das novas tecnologias, impactam de forma positiva no desenvolvimento econômico e social, podem estimular o empreendedorismo e a resolução de problemas urbanos pela entrega de benefícios e soluções de valor para a sociedade.

Essas e outras particularidades são aderentes aos propósitos e interesses do Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (CIASC), comprometido com as necessidades da administração pública e dos cidadãos catarinenses. Nesse sentido, além de apoiar eventos que promovem o desenvolvimento de inovação aberta, como o Hackathon, o CIASC tem fomentado a aproximação com iniciativas de Living Labs a partir do espaço da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), em especial, por meio do Nidus Laboratório de Inovação do Governo de Santa Catarina, da Secretaria de Estado de Administração (SEA), e vem buscando ampliar . 

Tabita Strassburger – Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), no Programa de Pesquisa e Implantação de Sistema de Inovação do CIASC.